A chegada de um bebê costuma ser cercada de expectativas de alegria. No entanto, muitas mulheres se sentem tristes, cansadas e sobrecarregadas nas primeiras semanas. Em grande parte dos casos, trata-se do baby blues, que passa sozinho. Em outros, porém, os sintomas são mais intensos e duradouros e indicam depressão pós-parto, uma condição comum que tem tratamento.
O Que É o Baby Blues
O baby blues é uma alteração de humor leve e passageira que atinge a maioria das mulheres após o parto. Ele costuma aparecer nos primeiros dias e melhorar em até duas semanas. Os sinais mais comuns são:
– Choro fácil e sensibilidade;
– Irritabilidade e oscilação de humor;
– Cansaço e sensação de insegurança.
Em geral, descanso, apoio da família e ajuda com os cuidados do bebê já fazem diferença.
O Que É a Depressão Pós-Parto
A depressão pós-parto é mais intensa e dura mais tempo. Ela pode surgir nas primeiras semanas ou ao longo do primeiro ano após o nascimento. Uma revisão de estudos publicada em 2018 estimou que cerca de 17% das mães saudáveis apresentam depressão nesse período. Ou seja, ela é muito mais frequente do que se imagina.
Além disso, a depressão pós-parto não é sinal de fraqueza nem de falta de amor pelo bebê. Ela envolve mudanças hormonais, privação de sono, estresse e fatores emocionais e sociais.
Sinais de Depressão Pós-Parto
Fique atenta se, por mais de duas semanas, houver:
– Tristeza, vazio ou desesperança na maior parte do dia;
– Perda de interesse ou de prazer, inclusive com o bebê;
– Cansaço extremo, mesmo quando é possível descansar;
– Alterações importantes no sono e no apetite;
– Culpa intensa ou sensação de ser uma “mãe ruim”;
– Dificuldade de criar vínculo com o bebê;
– Ansiedade constante ou crises de pânico;
– Pensamentos de fazer mal a si mesma ou ao bebê.
Vale lembrar que a insônia também pode ter outras causas. Saiba quando a insônia é sintoma de outro transtorno.
Fatores de Risco Para a Depressão Pós-Parto
Qualquer mulher pode ter depressão pós-parto. Mesmo assim, algumas condições aumentam o risco:
– Histórico de depressão ou ansiedade, inclusive na gestação;
– Pouca rede de apoio ou conflitos familiares;
– Gravidez não planejada ou complicações no parto;
– Dificuldades na amamentação ou bebê com problemas de saúde;
– Estresse financeiro ou outras situações difíceis no período.
Um Sinal de Emergência: A Psicose Pós-Parto
Em casos raros, pode surgir a psicose pós-parto, geralmente nas primeiras semanas. Ela causa confusão, comportamento muito diferente do habitual, desconfiança intensa ou percepção de coisas que não existem. Nesse caso, a situação é uma emergência e exige atendimento médico imediato.
Como É o Tratamento
O tratamento depende da intensidade dos sintomas e pode incluir psicoterapia, medicamentos e apoio da família. Muitas mulheres temem usar remédios durante a amamentação. No entanto, existem opções consideradas compatíveis, e o médico avalia o melhor caminho para mãe e bebê. Para tirar dúvidas comuns sobre o tema, veja os mitos e verdades sobre antidepressivos.
Além disso, a família tem papel importante. Ajudar nos cuidados com o bebê, garantir momentos de descanso e evitar julgamentos faz diferença. Veja também o que não falar para uma pessoa com depressão.
Quando Procurar Avaliação
Procure ajuda profissional se você:
– Percebe que a tristeza ou a ansiedade não melhoram depois de duas semanas;
– Sente dificuldade de cuidar de si mesma ou do bebê;
– Tem pensamentos de se machucar ou de machucar o bebê.
Nessas situações, procure atendimento imediato. O CVV atende de graça, 24 horas por dia, pelo telefone 188.
Perguntas Frequentes
Pais também podem ter depressão pós-parto?
Sim. Os pais também podem apresentar sintomas depressivos após o nascimento do filho, principalmente quando há sobrecarga e falta de sono. Eles também merecem atenção e cuidado.
A depressão pós-parto passa sozinha?
Diferente do baby blues, ela costuma precisar de tratamento. Sem cuidado, os sintomas podem durar meses e afetar a mãe, o bebê e a família.
Conclusão
A depressão pós-parto é comum, real e tratável. Reconhecer a diferença entre o baby blues e um quadro depressivo ajuda a buscar ajuda no momento certo. Portanto, se algo não parece bem, conversar com um profissional é um ato de cuidado consigo mesma e com o bebê.
Este conteúdo tem finalidade informativa e não substitui a consulta, o diagnóstico, os exames ou o acompanhamento individualizado com um profissional de saúde.
Dra. Simone Radecki — Psiquiatra | CRM-PR 30291 | RQE 21928